Red Room: O Horror da Dark Web

Red Room: Quando o Horror da Dark Web Se Torna Arte Sequencial

Red Room: O Horror da Dark Web

Pre-Code Horror: Scary Stories and Ghastly Graphics from EC ...

Pre-Code Horror: Scary Stories and Ghastly Graphics from EC ...

No vasto panorama dos quadrinhos contemporâneos, poucas obras ousam explorar os abismos mais sombrios da natureza humana com a crueza e sofisticação artística de Red Room, criada por Ed Piskor e publicada pela Fantagraphics entre 2021 e 2024. Esta série de 12 edições, posteriormente compilada em volumes pela editora brasileira Devir, não é apenas mais uma graphic novel de terror — é um espelho perturbador da sociedade digital contemporânea, uma crítica visceral sobre voyeurismo, entretenimento violento e a desumanização promovida pelo anonimato online.[1][2][3]

Red Room: a rede antissocial - Devir Devir

Red Room: a rede antissocial - Devir Devir

A Gênese de um Pesadelo Digital

Ed Piskor chegou a Red Room após consolidar sua reputação com obras radicalmente diferentes. Hip Hop Family Tree (2012-2016), sua aclamada série sobre a história do hip-hop, venceu prêmios Eisner e estabeleceu Piskor como mestre em construção de mundos narrativos densos e meticulosamente pesquisados. Em seguida, X-Men: Grand Design (2017-2019) demonstrou sua capacidade de sintetizar décadas de continuidade da Marvel em narrativas coesas e visualmente deslumbrantes.[4][5][6]

HIP HOP FAMILY TREE Fanta Graphics Treasury…

HIP HOP FAMILY TREE Fanta Graphics Treasury…

Mas Red Room representa uma ruptura deliberada. Piskor queria criar "uma HQ que faria sentido com a técnica duotone outlaw que eu adorava em quadrinhos como The Crow e Faust". Ele desejava produzir um horror que "não seria possível fora de nosso cenário moderno", explorando como a tecnologia da dark web — com sua promessa de anonimato absoluto — seria inevitavelmente explorada para fins criminosos.[7][3:1]

A premissa é perturbadoramente simples: nos cantos mais obscuros da internet, assassinatos são transmitidos ao vivo para espectadores que pagam em criptomoedas para assistir e até mesmo influenciar a tortura em tempo real. Este submundo de "red rooms" — lenda urbana que persiste na cultura digital — tornou-se o palco para Piskor examinar não apenas os perpetradores, mas todo o ecossistema que sustenta essa indústria da morte.[8][9][10][2:1]

Estética Underground: Robert Crumb Encontra EC Comics

Red Room: The Antisocial Network - The Comics Journal

Red Room: The Antisocial Network - The Comics Journal

A arte de Red Room é imediatamente reconhecível como produto da tradição underground dos quadrinhos americanos. Piskor cresceu imerso nos comix (com "x") dos anos 1960-70, influenciado por Robert Crumb, Harvey Kurtzman, Will Eisner e Gilbert Hernandez. Esta genealogia está presente em cada página: traços densos e expressivos, hachuras meticulosas, composições que privilegiam o impacto visual sobre a elegância tradicional.[1:1][5:1][6:1][11]

R. Crumb's Underground | Frye Art Museum

R. Crumb's Underground | Frye Art Museum

O uso do preto e branco não é mera escolha estilística — é declaração de princípios. Piskor emprega a técnica duotone com maestria, adicionando tons de cinza que criam profundidade e atmosfera claustrofóbica. Ocasionalmente, cores pontuais surgem (o vermelho do sangue, tons de pele cadavéricos), mas o preto domina, evocando as revistas underground que desafiavam a censura décadas atrás.[1:2][12][13][7:1]

From Comics to the Crypt: A Look Back at EC Comics and its ...

From Comics to the Crypt: A Look Back at EC Comics and its ...

A influência das EC Comics — especialmente Tales from the Crypt e outras horror comics dos anos 1950 — é explícita. Piskor descreveu Red Room como "EC Comics dos dias modernos, infundida com o sonho de Black Mirror". Como as antigas EC, cada edição funciona como história autônoma com reviravolta moral, mas Piskor adiciona camada meta-narrativa: seus personagens não são apenas vítimas de destinos cruéis, mas peças em um sistema econômico digital que transforma violência em commodity.[8:1][2:2][14][15][16]

Uma edição específica homenageia diretamente a EC, inclusive replicando o sistema de lettering Leroy usado nas caption boxes originais e apresentando um "horror host" ao estilo dos apresentadores macabros das antigas revistas. Esta reverência não é nostalgia vazia — Piskor atualiza as convenções do gênero para a era digital, substituindo contos de terror gótico por pesadelos cibernéticos.[2:3][17][18]

Construção de Mundo: O Universo Red Room

Red Room - Livrarias Curitiba

Red Room - Livrarias Curitiba

Diferente de narrativas lineares tradicionais, Red Room adota estrutura modular. Cada edição apresenta história completa e autocontida, mas todas existem no mesmo universo compartilhado. Piskor comparou sua abordagem aos primeiros números de Stray Bullets de David Lapham — histórias independentes que gradualmente revelam conexões mais profundas.[8:2][7:2][3:2][19]

Esta estrutura permite explorar o fenômeno das "red rooms" sob múltiplas perspectivas: os assassinos que se vestem como supervilões para proteger identidades; as vítimas sequestradas e preparadas para o abate; os espectadores ricos que pagam fortunas em bitcoin para assistir; os intermediários que lucram com a logística; e até mesmo familiares que descobrem os segredos obscenos de seus entes queridos.[1:3][20][19:1][21][22][8:3]

Mistress Pentagram emerge como figura central — matriarca de uma "família" de performers da red room, operando a Pentagram Productions, uma das principais "empresas" do submundo. Ela recruta talentos, gerencia transmissões e mantém padrões de "qualidade" para sua audiência exigente. Sua presença em múltiplas histórias cria continuidade, mas cada narrativa funciona independentemente.[20:1][23][8:4]

Poker Face, da organização rival, representa outro "astro" do circuito de assassinatos transmitidos. A competição entre diferentes "estúdios" de red room espelha guerras corporativas de streaming legítimo — Netflix vs. HBO Max, mas com eviscerações ao vivo.[7:3][19:2][8:5][20:2]

Piskor construiu economia completa: criptomoedas impossíveis de rastrear, softwares de criptografia desenvolvidos por hackers geniais, redes de recrutamento de vítimas, sistemas de doação durante as transmissões (semelhantes a Twitch ou YouTube, mas recompensando sugestões de tortura). Há até loja física clandestina onde colecionadores compram "memorabilia" dos assassinatos.[10:1][24][3:3][21:1]

Personagens: Humanizando o Inominável

O que distingue Red Room de simples "torture porn" é como Piskor humaniza seus personagens sem justificá-los ou absolvê-los.[8:6][11:1]

Davis Mayfield, protagonista da primeira edição, é inicialmente apresentado como pai amoroso devastado após acidente que mata esposa e filha. Trabalha como funcionário de escritório policial, sofrendo microagressões diárias. Quando Mistress Pentagram o recruta para as red rooms, parece ser reação à tragédia — catarse violenta de homem despedaçado.[25][20:3][21:2][8:7]

Mas Piskor subverte expectativas: Davis sempre foi serial killer. Sua família era fachada. O recrutamento não o corrompeu; apenas monetizou seus impulsos. O "Decimator" (seu nome artístico nas transmissões) finalmente pode expressar sua verdadeira natureza enquanto sustenta a filha sobrevivente Brianna na Universidade de Nova York com o dinheiro do bitcoin. Esta ironia brutal — pai pagando educação da filha com assassinatos filmados — exemplifica o tom moral complexo da série.[20:4][21:3][8:8]

Brianna Fairfield torna-se peça trágica no tabuleiro. Quando descobre a verdade sobre o pai, ela mesma é sugada para o universo das red rooms, não como vítima direta, mas como alguém permanentemente marcado pela proximidade com o horror.[20:5]

Outros capítulos focam em Dr. Daniels, médico sequestrado e forçado a preparar vítimas para garantir que permaneçam conscientes durante torturas prolongadas; em "Donna Butcher", assassina serial cujo trabalho inspira vingança brutal de uma filha órfã; e no criador do software de criptografia que possibilitou todo esse ecossistema, agora recrutado pela polícia para desmontá-lo.[26][17:1][19:3][20:6]

A Técnica: Mestria em Narrativa Visual

Red Room: The Antisocial Network - The Comics Journal

Red Room: The Antisocial Network - The Comics Journal

Piskor demonstra virtuosismo técnico em cada página. Suas composições variam de grids tradicionais de seis ou oito painéis (reminiscentes de Wizzywig, sua obra anterior sobre hackers) até splash pages cinematográficas e layouts experimentais.[18:1][16:1]

As cenas de transmissão ao vivo são particularmente engenhosas. Piskor replica interface de streaming, completa com contadores de visualizações, seção de comentários onde espectadores anônimos fazem sugestões depravadas, e sistema de doações em bitcoin. Os comentários espelham cultura tóxica de chats anônimos — trolls, fanboys, haters, pessoas-pleasers — todos arquétipos que Piskor observou durante anos gerenciando o canal do YouTube Cartoonist Kayfabe com Jim Rugg.[1:4][5:2][3:4][19:4]

Esta experiência direta com comunidades online informou profundamente a série. "Eu simplesmente amplio a energia para 1000 em Red Room", explicou Piskor. Os comentários nas transmissões de assassinato são grotescamente familiares para qualquer um que já navegou seções de comentários anônimos.[25:1][3:5]

O lettering manual de Piskor adiciona camada de autenticidade artesanal. Balões de fala variam em forma e tamanho conforme emoção do momento; efeitos sonoros são integrados organicamente às composições; caption boxes funcionam como narrador onisciente, frequentemente com ironia mordaz.[16:2][27]

A violência gráfica é inegável, mas nunca gratuita no sentido técnico. Cada ato brutal serve propósito narrativo: estabelecer personagem, criar reviravolta, comentar sobre dessensibilização. Piskor possui "senso de timing" excepcional, sabendo exatamente quando mostrar gore explícito e quando sugerir através de reações de personagens.[11:2][21:4][16:3]

Crítica Social: Espelho da Era Digital

Red Room transcende sensacionalismo ao funcionar como comentário devastador sobre sociedade digital contemporânea.[1:5][25:2][10:2]

O tema central é voyeurismo sistêmico. Os espectadores das red rooms não são monstros isolados — são elite global, pessoas de "bom gosto" que simplesmente encontraram novo vício. A série questiona: qual a diferença entre assistir assassinatos na dark web e consumir conteúdo violento "legítimo" para entretenimento?[25:3][16:4][28][22:1]

Piskor força leitores a confrontarem sua própria relação com violência como forma de entretenimento. Cada página de gore é simultaneamente repulsiva e "hipnotizante". Queremos parar de olhar, mas continuamos virando páginas — tornando-nos, em certo sentido, cúmplices.[29][21:5][25:4]

A desumanização promovida pelo anonimato é outro eixo temático. Na dark web das red rooms, ninguém possui identidade real. Assassinos usam máscaras e personas de supervilões; espectadores são nomes de usuário; vítimas tornam-se apenas "conteúdo". Esta estrutura permite que participantes se dissociem moralmente de suas ações.[10:3][20:7]

Criptomoedas e tecnologia blockchain não são apenas dispositivos de plot — representam promessa não cumprida da tecnologia descentralizada. O programador que criou o software de anonimato nas red rooms acreditava estar promovendo liberdade; em vez disso, construiu infraestrutura para atrocidades. Piskor não é luddita, mas questiona ingenuidade tecnoutópica.[26:1][17:2][10:4]

Há também sátira afiada sobre cultura de influenciadores e métricas de sucesso. Os assassinos das red rooms competem por "views", "subscribers" e doações — exatamente como YouTubers legítimos. Mistress Pentagram gerencia seu "talento" como agência de entretenimento. A lógica capitalista de conteúdo viral infectou até mesmo assassinato ritualístico.[20:8][3:6][30][31][10:5]

Por Que Red Room É Obra-Prima

Ed Piskor - Lambiek Comiclopedia

Ed Piskor - Lambiek Comiclopedia

Uma obra-prima não precisa ser agradável — precisa ser necessária. Red Room cumpre este critério por múltiplas razões:

1. Honestidade Artística Radical

Piskor não suaviza ou romantiza seu material. Ele compreendeu que qualquer tentativa de "bom gosto" ao tratar deste assunto seria hipócrita. As red rooms de seu universo são repugnantes porque o conceito real é repugnante. A arte visceral força confronto direto com implicações morais.[8:9][29:1][16:5][11:3]

Críticos compararam Piskor a Clive Barker por esta disposição em usar horror extremo não como fim, mas como meio de exploração filosófica. Como Barker em Hellraiser ou Books of Blood, Piskor emprega gore para examinar natureza do prazer, dor e transgressão moral.[29:2]

2. Execução Técnica Impecável

Piskor é quadrinista completo — escritor, desenhista, arte-finalista, letrista. Esta unidade de visão resulta em obra esteticamente coesa onde cada elemento serve à narrativa. Suas páginas são simultaneamente brutais e belas, repulsivas e tecnicamente admiráveis.[1:6][5:3][16:6][27:1]

A arte de Piskor, inspirada por Robert Crumb e Gilbert Hernandez, possui qualidade "cartooning" — figuras ligeiramente exageradas que permitem expressividade máxima sem sacrificar anatomia ou peso físico. Seus personagens parecem simultaneamente caricaturais e assustadoramente reais.[27:2][11:4]

3. Estrutura Narrativa Inovadora

A abordagem antológica de Red Room — histórias completas que constroem universo compartilhado — vai contra tendências contemporâneas de "write for the trade" (escrever pensando em coletâneas). Cada edição oferece experiência satisfatória e autônoma, mas leitores que acompanham toda série são recompensados com conexões cada vez mais complexas.[7:4][20:9][3:7][19:5]

Piskor criou modelo sustentável: cada história pode servir como porta de entrada, mas o universo permanece rico o suficiente para suportar expansão indefinida. As três "temporadas" originais (The Antisocial Network, Trigger Warnings, Crypto Killaz) provam a versatilidade deste approach.[32][33][20:10][7:5]

4. Relevância Cultural Urgente

Red Room não poderia existir em outra época. É produto específico de preocupações da década de 2020: dark web, criptomoedas, cultura de streaming, dessensibilização à violência, polarização online. Ao exagerar tendências reais até ponto absurdo, Piskor ilumina aspectos preocupantes de nossa relação com tecnologia.[25:5][10:6][17:3][34][3:8][21:6]

A série pergunta questões urgentes: O que acontece quando violência se torna conteúdo algoritmicamente otimizado? Como anonimato digital permite expressão de impulsos reprimidos? Qual o custo humano real de economias descentralizadas?[10:7][31:1]

5. Coragem de Desconfortar

Muitos quadrinhos buscam confortar leitores, oferecendo escapismo ou reforçando visões de mundo existentes. Red Room deliberadamente desconforta. Força autoavaliação sobre "linha tênue entre entretenimento e exploração gratuita da violência".[35][16:7][1:7][25:6]

Esta disposição em ser genuinamente perturbador, em recusar catarse fácil ou resolução moral clara, é marca de arte séria. Piskor confia que leitores podem processar desconforto sem necessidade de autor guiá-los para conclusões específicas.[21:7][8:10]

6. Linhagem e Legado

Ed Piskor’s Hip Hop Family Tree vol.2 | DJ…

Ed Piskor’s Hip Hop Family Tree vol.2 | DJ…

Red Room não surge do vazio — é culminação de tradições múltiplas. Dos comix underground (Crumb, Wilson, Shelton) herda franqueza sexual e violenta. Das EC Comics absorve estrutura de twist endings e moralidade ambígua. Do movimento splatterpunk literário (Clive Barker, Poppy Z. Brite) adota estética de "hyper violence, figure drawing fetishization, urban decay".[5:4][2:4][15:1][3:9][30:1][36]

Mas Piskor não é meramente nostálgico. Ele atualiza estas tradições para século XXI, provando que underground comics permanecem vitais e necessários. Em era de quadrinhos corporativos sanitizados, Red Room lembra que o meio pode ser transgressor, político e genuinamente perturbador.[28:1][5:5]

O Projeto Como um Todo

A edição brasileira da Devir reúne as três primeiras minisséries em volume único de 416 páginas, tornado Red Room acessível para público lusófono. Esta compilação inclui extensos materiais extras: comentários página-a-página do autor, rascunhos iniciais, estudos de personagens, referências históricas sobre serial killers reais que inspiraram personas fictícias.[9:1][1:8][25:7][18:2]

Estes extras revelam profundidade de pesquisa de Piskor. Ele estudou casos judiciais de crimes na dark web, transcreveu julgamentos, analisou como autoridades rastreiam atividade criminal online. Esta base factual torna a ficção ainda mais inquietante — as red rooms podem não existir (ainda), mas a infraestrutura tecnológica e econômica que as sustentaria já está operacional.[10:8][17:4][24:1][22:2]

A produção física da Fantagraphics merece menção. Capas com acabamento mate, papel de qualidade que realça o trabalho em preto e branco, design gráfico que replica estética de zines underground. Cada elemento material reforça a experiência de ler algo proibido, descoberto em canto obscuro de loja de quadrinhos.[27:3][19:6]

Red Room se tornou o quadrinho mais vendido da Fantagraphics em décadas, com mais de 250.000 cópias vendidas até 2022. Este sucesso comercial prova existência de audiência faminta por quadrinhos adultos genuínos — não apenas "edgy" superficialmente, mas obras que tratam leitores como capazes de processar complexidade moral e desconforto estético.[32:1][28:2]

Além do Choque

Críticos dividem-se sobre Red Room. Alguns argumentam que a violência gráfica eventualmente se torna "entorpecente", que após certo ponto o choque perde efetividade. Há mérito nesta observação — o desafio de qualquer obra baseada em extremos é sustentar intensidade sem cair em repetição.[8:11][1:9]

Mas reduzir Red Room a "torture porn" ignora sofisticação narrativa e visual da série. Piskor não está simplesmente chocando por chocar. Cada história examina faceta diferente do fenômeno: o assassino que encontra comunidade online, a vítima que se torna perpetradora, o espectador que cruza linha para participação ativa, o empreendedor que vê oportunidade de negócio em tragédia humana.[20:11][19:7][21:8][30:2][31:2]

A série também demonstra humor negro afiado. Momentos de comédia sombria — referências à cultura pop, sátira de convenções de gênero, absurdo situacional — impedem que narrativa afunde em niilismo terminal. Piskor descreveu o tom como "tongue-in-cheek pulp horror comics", e este equilíbrio entre seriedade e autoparodia mantém leitura dinâmica.[16:8][3:10][19:8]

Red Room não oferece respostas fáceis. Não condena tecnologia nem celebra transgressão. Apresenta mundo onde piores impulsos humanos encontraram infraestrutura digital perfeita para expressão, e convida leitores a considerarem implicações. Esta recusa em moralizar explicitamente — permitindo que violência e suas consequências falem por si — é marca de confiança artística madura.[10:9][21:9]

Ao final, Red Room permanece como testemunho do poder dos quadrinhos como meio. Apenas em comics a visão singular de um artista pode manifestar-se tão completamente — sem compromissos com executivos, comitês criativos ou demandas de mercado mainstream. Ed Piskor criou exatamente a obra que pretendia criar: perturbadora, tecnicamente virtuosa, culturalmente relevante e impossível de esquecer.[37][3:11]

Esta é a definição de obra-prima — não consenso universal, mas realização plena de visão artística específica executada com maestria técnica absoluta. Red Room não é para todos, nunca pretendeu ser. Mas para aqueles dispostos a confrontar seus espelhos mais sombrios sobre entretenimento, tecnologia e natureza humana, oferece experiência que ressoa muito além da última página manchada de preto.
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  1. https://foradoplastico.com.br/red-room-a-rede-antissocial/ ↩︎ ↩︎ ↩︎ ↩︎ ↩︎ ↩︎ ↩︎ ↩︎ ↩︎ ↩︎

  2. https://www.ign.com/articles/red-room-exclusive-preview-of-ed-piskors-splatterpunk-horror-comic ↩︎ ↩︎ ↩︎ ↩︎ ↩︎

  3. https://www.cbr.com/ed-piskor-red-room-interview/ ↩︎ ↩︎ ↩︎ ↩︎ ↩︎ ↩︎ ↩︎ ↩︎ ↩︎ ↩︎ ↩︎ ↩︎

  4. https://pt.wikipedia.org/wiki/Ed_Piskor ↩︎

  5. https://www.lambiek.net/artists/p/piskor_ed.htm ↩︎ ↩︎ ↩︎ ↩︎ ↩︎ ↩︎

  6. https://en.wikipedia.org/wiki/Ed_Piskor ↩︎ ↩︎

  7. https://aiptcomics.com/2021/04/16/ed-piskor-red-room-interview/ ↩︎ ↩︎ ↩︎ ↩︎ ↩︎ ↩︎

  8. https://www.tcj.com/reviews/red-room-the-antisocial-network/ ↩︎ ↩︎ ↩︎ ↩︎ ↩︎ ↩︎ ↩︎ ↩︎ ↩︎ ↩︎ ↩︎ ↩︎

  9. https://mundosinfinitos.com.br/geek/produto/Comics-Red-Room-a-Rede-Antissocial-138456.aspx ↩︎ ↩︎

  10. https://zonanegativa.com.br/resenha-relampago-red-room-a-rede-antissocial-de-ed-piskor/ ↩︎ ↩︎ ↩︎ ↩︎ ↩︎ ↩︎ ↩︎ ↩︎ ↩︎ ↩︎

  11. https://www.cbr.com/red-room-1-review/ ↩︎ ↩︎ ↩︎ ↩︎ ↩︎

  12. https://www.reddit.com/r/comicbooks/comments/17dffpn/good_black_and_white_comics_with_unique_art_styles/ ↩︎

  13. https://www.reddit.com/r/comicbooks/comments/n9cyk5/ed_piskors_red_room_is_fantagraphics_bestselling/ ↩︎

  14. https://www.horrordna.com/news/ed-piskor-s-splatterpunk-red-room-gets-fcbd-issue ↩︎

  15. https://smashpages.net/2021/01/22/fantagraphics-to-publish-ed-piskors-red-room/ ↩︎ ↩︎

  16. https://www.panelpatter.com/2021/05/review-Ed-Piskor-Red-Room-1.html ↩︎ ↩︎ ↩︎ ↩︎ ↩︎ ↩︎ ↩︎ ↩︎ ↩︎

  17. https://www.gamesradar.com/ed-piskor-explores-dark-web-psychopaths-in-the-splatterpunk-red-room-2/ ↩︎ ↩︎ ↩︎ ↩︎ ↩︎

  18. https://www.youtube.com/watch?v=VefeYQ5_feI ↩︎ ↩︎ ↩︎

  19. https://bigcomicpage.com/2021/06/28/review-red-room-2-fantagraphics/ ↩︎ ↩︎ ↩︎ ↩︎ ↩︎ ↩︎ ↩︎ ↩︎ ↩︎

  20. https://bigcomicpage.com/2021/12/14/review-red-room-the-antisocial-network-vol-1-tp-fantagraphics/ ↩︎ ↩︎ ↩︎ ↩︎ ↩︎ ↩︎ ↩︎ ↩︎ ↩︎ ↩︎ ↩︎ ↩︎

  21. http://www.multiversitycomics.com/reviews/red-room-1/ ↩︎ ↩︎ ↩︎ ↩︎ ↩︎ ↩︎ ↩︎ ↩︎ ↩︎ ↩︎

  22. https://www.dreadcentral.com/interviews/434572/the-dark-web-is-decadent-and-depraved-an-interview-with-red-room-writer-ed-piskor/ ↩︎ ↩︎ ↩︎

  23. https://www.reddit.com/r/Inktober/comments/m6l1uk/mistress_pentagram_character_from_the_upcoming/ ↩︎

  24. https://blog.reconcybersecurity.com/the-dark-web-red-room/ ↩︎ ↩︎

  25. https://www.youtube.com/watch?v=oMpOZyG_uso ↩︎ ↩︎ ↩︎ ↩︎ ↩︎ ↩︎ ↩︎ ↩︎

  26. https://www.goodreads.com/book/show/57322536-red-room ↩︎ ↩︎

  27. https://www.goodreads.com/book/show/59551318-red-room ↩︎ ↩︎ ↩︎ ↩︎

  28. https://bleedingcool.com/comics/ed-piskor-red-room-fantagraphics-best-selling-comic-decades/ ↩︎ ↩︎ ↩︎

  29. https://comic-watch.com/comic-book-reviews/red-room-1-spoiler-free-review ↩︎ ↩︎ ↩︎

  30. https://pullorpass.wordpress.com/2021/06/24/review-red-room-1-and-2/ ↩︎ ↩︎ ↩︎

  31. https://doomrocket.com/red-room-crypto-killaz-1-review/ ↩︎ ↩︎ ↩︎

  32. https://www.fantagraphics.com/products/red-room-trigger-warnings ↩︎ ↩︎

  33. https://www.fantagraphics.com/products/red-room-crypto-killaz ↩︎

  34. https://canaltech.com.br/internet/red-room-o-que-e-verdade-ou-ficcao-no-maior-mito-da-dark-web-154013/ ↩︎

  35. https://www.instagram.com/reel/DGDtyQgxw1d/ ↩︎

  36. https://sewermutant.com/wave-of-mutilation-part-2-the-birth-of-faust-c2d9ed6ab2c9/ ↩︎

  37. https://www.reddit.com/r/comicbooks/comments/2fxbvb/im_ed_piskor_cartoonist_creator_of_hip_hop_family/ ↩︎

  38. https://comicboom.com.br/produto/red-room-a-rede-antissocial/ ↩︎

  39. https://www.instagram.com/p/DA_M9lROv3N/ ↩︎

  40. https://www.reddit.com/r/ExtremeHorrorLit/comments/ygx61v/any_good_extreme_horror_books_with_red_rooms/ ↩︎

  41. https://www.instagram.com/reel/DEZvPLIu75d/ ↩︎

  42. https://imusic.br.com/books/9781683965602/ed-piskor-2022-red-room-trigger-warnings-paperback-book ↩︎

  43. https://falaanimal.com.br/2024/06/07/red-room-ed-piskor-pela-devir/ ↩︎

  44. https://www.goodreads.com/book/show/17591945-hip-hop-family-tree-vol-1 ↩︎

  45. https://comicsgrinder.com/2024/04/04/ed-piskor-a-rememberance/ ↩︎

  46. https://www.mundofantasma.com/hip-hop-family-tree/ ↩︎

  47. https://www.bocadaforte.com.br/reportagens/o-quadrinista-do-hip-hop-ed-piskor ↩︎

  48. https://www.youtube.com/watch?v=zdkkAKEAvvo ↩︎

  49. https://www.ninthart.co.uk/articles/1247 ↩︎

  50. https://blog.fantagraphics.com/ed-piskors-red-room-comics-to-be-published-by-fantagraphics/ ↩︎

  51. https://dl.ibdocs.re/LitCharts/Literature Guides/The-Red-Room-LitChart.pdf ↩︎

  52. https://www.clarendonhousebooks.com/single-post/2016/09/30/h-g-wells-and-the-red-room ↩︎

  53. https://www.reddit.com/r/morbidquestions/comments/yt5tho/are_red_rooms_on_the_dark_web_where_people_pay/ ↩︎

  54. https://repositorio.ufsc.br/bitstream/handle/123456789/157356/The Red Room - H.G. Wells.pdf?sequence=1&isAllowed=y ↩︎

  55. https://www.imdb.com/title/tt22207786/ ↩︎

  56. https://www.litcharts.com/lit/the-red-room ↩︎

  57. https://www.instagram.com/p/DSfE2sVkfvA/ ↩︎

  58. https://prezi.com/mdmhso_vcfkm/the-red-room-creative-writing/ ↩︎

  59. https://www.siff.net/festival/archives/festival-2024/red-rooms ↩︎

  60. https://www.fantagraphics.com/products/red-room-1 ↩︎

  61. https://no-i-am-not-a-human.fandom.com/wiki/Fortune_Teller ↩︎

  62. https://www.reddit.com/r/comicbooks/comments/nmvcrc/nsfw_red_room_1_by_ed_piskor_is_nasty/ ↩︎

  63. https://www.youtube.com/watch?v=hZsQC7-Muo0 ↩︎

  64. https://www.fantagraphics.com/collections/ed-piskor ↩︎

  65. https://www.buzzfeed.com/michelelbird/poker-face-tv-series-cast-guide ↩︎

  66. https://villainmedia.com/interview-ed-piskor-talks-red-room/ ↩︎

  67. https://www.youtube.com/watch?v=kX5iQZbF83I ↩︎