Intel: Um problema sem solução?
Experiência com os processadores de 13 e 14 gen da Intel que levaram a vários RMA's.
Eu sempre fui entusiasta de hardware e mantinha duas máquinas potentes: uma equipada com um Intel 13900K e a outra com um Intel 14900K. No entanto, algo sempre me incomodou. De tempos em tempos, surgiam anomalias inexplicáveis que me forçavam a formatar os PCs com uma frequência muito maior do que o normal.
As telas azuis da morte (BSOD) se tornaram um evento recorrente, e por mais que eu tentasse encontrar um padrão, a origem dos problemas permanecia nebulosa. Inicialmente, imaginei que fosse algum software mal otimizado, talvez drivers problemáticos ou até um conflito entre aplicações.
Então, os rumores começaram a pipocar na internet. A Intel supostamente havia fabricado chips com falhas no microcódigo, que, com o tempo, resultavam em oxidação dos componentes. E aparentemente, fui duplamente premiado com essa "loteria do azar".
Minha suspeita começou a ganhar força graças à Blizzard. Sempre que tentava jogar Diablo IV, o jogo simplesmente crashava, sem nenhuma explicação aparente. Passei por todas as soluções óbvias: ajuste de configurações, testes de estabilidade, até desativei algumas opções avançadas que o próprio jogo criava para o teclado. Nada resolvia.
Na tentativa de mitigar o problema, a Asus começou a lançar novas versões de BIOS, desenvolvidas em colaboração com a Intel para corrigir os erros. Mas, para minha surpresa, os problemas só pioraram.

Sem muitas opções — ou melhor, sem opção nenhuma —, acionei o suporte da Intel para tentar resolver a situação do meu 13900K. E, para minha surpresa, a resposta foi rápida e eficiente.
Moro em uma cidade do interior, distante de qualquer grande centro comercial, e imaginei que o processo de RMA (garantia) fosse ser um verdadeiro teste de paciência. Mas não foi. Após alguns e-mails trocados e a formalização do pedido, enviei meu processador e, em cerca de seis dias, recebi um novo em mãos.
O mais curioso? Eles nem analisaram o chip que enviei. Isso só reforçava a suspeita de que o problema era bem maior do que parecia. A rapidez da troca sugeria que a Intel já sabia exatamente o que estava acontecendo e, provavelmente, preferia substituir os processadores sem muito questionamento a lidar com uma enxurrada de reclamações técnicas.
Mas eu já havia tomado uma decisão: me desfazer da máquina com o 13900K. O novo processador ficou embalado, pronto para ser passado adiante.
Porém, foi quando minha outra máquina, com o 14900K, começou a seguir o mesmo roteiro de erros e instabilidades. E assim, repeti o processo: contatei o suporte da Intel mais uma vez.
Dessa vez, antes de autorizar o RMA, a empresa solicitou que eu atualizasse a BIOS para a versão mais recente disponibilizada pela ASUS e aplicasse alguns ajustes específicos recomendados por eles. Segui todas as instruções à risca, reiniciei o sistema, testei os jogos, fiz benchmarks... mas os problemas persistiram.
O que antes parecia um problema isolado começou a se desenhar como um erro sistêmico. Eu havia passado por duas gerações de processadores, atualizado BIOS, trocado drivers, ajustado configurações, testado múltiplos softwares... e nada resolvia.
As sugestões de alterações na BIOS dadas pelo suporte da Intel, eram estas pequenas alterações nas configurações:
"CEP (Current Excursion Protection)> Enable.
eTVB (Enhanced Thermal Velocity boost)> Enable.
TVB (Thermal Velocity boost)>Enable
TVB Voltage Optimization> Enable
ICCMAX Unilimited bit>Disable
TjMAX Offset> 0
C-States (Including C1E) >Enable
ICCMAX> 249A
ICCMAX_APP>200A
Power limit 1 (PL1)>125W
Power limit 2 (PL2)>188W"

Dentre as alterações sugeridas pela Intel, a maioria era possível de ser aplicada manualmente, enquanto outras eram automaticamente gerenciadas pela placa-mãe. Fiz tudo o que estava ao meu alcance, mas no fim, o problema persistia.
Assim, sem outra escolha, o processo de RMA começava novamente. Dessa vez, em novembro de 2024, recebi um novo 14900K, enviado diretamente pela Intel.
Com o novo processador instalado, senti um alívio momentâneo. A máquina parecia finalmente estável, sem crashes, sem BSODs, sem os erros inexplicáveis que me atormentaram por tanto tempo. Durante algumas semanas, tudo funcionou como deveria.
Mas, duas semanas atrás, os problemas começaram a surgir de novo. Tela azul do nada, jogos crashando sem motivo aparente e aquela sensação inevitável de déjà vu.
A primeira coisa que me passou pela cabeça foi: será que a Intel me enviou outro processador de um lote defeituoso? A suspeita aumentou quando decidi testar o 14900K em outro computador. E para minha surpresa – ou melhor, desespero – o erro persistiu.
A essa altura, já não restavam dúvidas. O problema não era um acaso isolado, nem um erro pontual de hardware. Algo muito maior estava acontecendo.

Era possível acompanhar o estrago que a Intel havia causado a si mesma apenas observando o impacto no mercado financeiro. Suas ações despencaram brutalmente, chegando a um ponto em que se especulava uma possível venda da empresa – ou até mesmo um colapso irreversível.
É quase surreal imaginar isso acontecendo com uma gigante da tecnologia. Afinal, a Intel moldou a história da computação, foi responsável por avanços monumentais e esteve à frente da revolução dos microchips que deram vida à era digital. E agora, ironicamente, parece não ter conseguido resolver seus próprios erros.
Como uma empresa desse porte, com décadas de inovação e domínio no setor, pode ter lançado algo tão defeituoso? Erro de design? Falha no processo de fabricação? Pressa para competir com a AMD? Seja qual for a explicação, o resultado foi desastroso.
E assim, sem muita escolha, cá estou eu novamente. Mais um pedido de RMA a caminho.
E vocês? Também passaram por essa dor de cabeça?